Delecampio José Menassa

Informação

Este artigo foi publicado em 19/03/2010 e está arquivado em Crescimento pessoal.

Características da consciência crítica

CARACTERÍSTICAS DA CONSCIÊNCIA CRÍTICA

A ação do homem só tem sentido se for compromissada com a realidade, uma vez que, diferente do animal, o ser humano é capaz de reflexão. O homem existe. Está inserido no mundo. Toma conhecimento deste mundo, sendo até capaz de modificá-lo. Esta ação modificadora, entretanto, torna-se impossível, se ele estiver imerso e acomodado a este mundo e for incapaz de distanciar-se dele para admirá-lo e perceber o seu conjunto. Daí, a necessidade que tem o homem de contínua coexistência do “viver a realidade” com o “distanciar-se dela para refleti-la”, a fim de que possa, realmente, assumir seu compromisso. Isto é consciência crítica. E é, a partir desta visão crítica de realidade, que o homem se torna capaz de modificar o mundo em que vive. Ao contrário, a consciência ingênua leva a uma visão distorcida da realidade.

-        Anseio de profundidade na análise de problemas. Não se satisfaz com as aparências.

-        Pode-se reconhecer desprovida de meios para a análise do problema. Reconhece que a realidade é mutável.

-        Substitui situações ou explicações mágicas por princípios autênticos de causalidade. Procura verificar ou testar as descobertas. Está sempre disposta a revisão.

-        Ao se deparar com um fato, faz o possível para livrar-se de preconceitos. Não somente na captação, mas também na análise e na resposta.

-        Repele posições quietas. É intensamente inquieta. Torna-se mais crítica quanto mais reconhece em sua quietude a inquietude, e vice-versa.

-        Sabe que é na medida em que é, e não pelo que parece. O essencial para parecer algo é ser algo; é à base da autenticidade.

-        Repele toda transferência de responsabilidade e de autoridade e aceita a delegação das mesmas. É indagadora, investiga força, choca. Ama o diálogo, nutre-se dele.

-        Face ao novo, não repele o velho por ser velho, nem aceita o novo por ser novo, mas os aceita na medida em que são válidos.

“O mundo é assombrado porque é estupendo, assustador, misterioso, insondável; meu interesse é convencer você a tomar ciência de que está aqui, neste mundo maravilhoso, neste deserto maravilhoso, neste tempo magnífico. Quero convencer você a tornar cada ato importante e válido, já que vai ficar aqui por um curto espaço detempo. Na verdade, curto..demais para conhecer todas as maravilhas que nele existem”(D. Juan).

“Quem Não Lê, Não pensa e quem não pensa, será para sempre um servo”(Paulo Francis)

A cabeça está onde estão os pés. Se eu tomo consciência de onde eu estou aí eu sei quais são os elementos que estão influenciando na minha forma de entender o mundo.

A consciência é crítica na medida em que percebemos quais são as influências que interferem no meu jeito de pensar e agir. Há pessoas que criticam as coisas e os outros, mas não são capazes de perceber as influências que o meio social tem sobre elas mesmas. Há motivações que são profundas e por isso precisamos saber quais elementos que nos ajudam a ter consciência crítica.

A teoria ilumina as nossas ações. Porque os instrumentos são necessários? Por que não temos acesso direto à realidade. Entre nós e a realidade, sempre é necessário uma ponte. O instrumento tem limites. Temos instrumentos comuns, que vem do senso comum, e a experiências cientificas que são instrumentos mais bem elaborados. O senso comum vem de experiências passadas, mas nem sempre ilumina a realidade. Cada instrumento é uma ponte. Liga apenas um pedaço. Cada instrumento ajuda a ter uma percepção parcial da realidade. Esse é o limite humano. Só Deus tem uma visão total da realidade. Conhecer e tocar a realidade, mas de forma parcial e limitada.

A consciênciaé a capacidade humana, de prever e planejar previamente as próprias atividades, de refletir sobre elas no decorrer da ação.

É o que supera meus limites, me faz sair da ignorância, me faz sair da inércia.

É a capacidade humana sem limites.

Onde prevê.

Planeja. Reflete cada ação.

Confere.

Critica.

Critica externa – prejudica.

Critica interna – beneficia.

 

CARACTERÍSTICAS DA CONSCIÊNCIA INGÊNUA 

-        Revela certa simplicidade, tendente a interpretar e encarar os problemas e desafios de maneira simples.

-        Não se aprofunda na causalidade do próprio fato. Suas conclusões são apressadas, superficiais. É impermeável à investigação. Satisfaz-se com as aparências. Toda concepção científica para ele é um jogo de palavras.

-        Há também uma tendência a considerar que o passado foi melhor. Por exemplo: os pais que se queixam da conduta de seus filhos, comparando-a ao que faziam quando jovens.

-        Tende a aceitar formas pré-estabelecida de comportamento. Esta tendência pode levar a uma consciência fanática.

-        Subestima o homem simples. Suas explicações são mágicas. É frágil na discussão dos problemas. O ingênuo parte do princípio que sabe tudo.

-        Pretende ganhar a discussão com argumentos frágeis. É polêmico, não pretende esclarecer. Suas discussões é feita mais de emoções do que de críticas: não procura a verdade; trata de impô-la e procurar meios históricos para convencer com suas idéias. É curioso ver como os ouvintes se deixam levar pela manha, pelos gestos e pelo palavreado. Trata de brigar mais, para ganhar mais. Tem forte conteúdo passional.

-        Pode cair no fanatismo ou intolerância. Apresenta fortes compreensões mágicas. Diz que a realidade é parada e não sofre mudanças.

Quando é que uma pessoa é sujeito de sua história?

 A pessoa é sujeito de sua história quando vive com liberdade e plenitude a sua própria vida. É caracterizada pela descoberta do seu Eu, da realidade interior ao contrário da pessoa objeto. É uma pessoa que descobriu a interioridade da consciência, os seus recursos e valores internos. As coisas que estão no mundo não significam nada sem a pessoa. A pessoa humana se descobre como fonte da verdade, de bem, de valor.

É uma pessoa que usa a razão e a reflexão para definir a si mesma. A sua consciência determina o seu modo de ser. A realidade histórica, os fatos e acontecimentos tornam-severdade na medida em que o sujeito participa. Aqui, o homem apresenta-se como conhecedor, inteligente, capaz de interpretar a realidade, o mundo, a história, os valores. Assume a tarefa criativa, original, única de produzir tais interpretações tiradas do confronto com a realidade. A verdade, o bem e o valor são sempre uma síntese entre o sujeito e o objeto.

A pessoa tomou consciência do seu potencial, de seus valores e de sua inteligência criadora que interfere diretamente na história. Faz uso da tecnologia e da ciência que passam a ser instrumentais de análise, tornando-a mestre da realidade. Sabe usar bem a liberdade libertando-se de “todas as amarras externas e internas”. A pessoa é marcada pela autoconsciência e pela autonomia (auto = para si, nomos = lei). Ela se entende como lei de si mesma, não a recebendo de fora e sim descobrindo a partir de sua razão, inteligência e experiência.

Na família essa pessoa é aberta, sabe dialogar, escutar e definir junto com os seus.

Não decide nada sozinha, procura acolher a opinião do outro. É segura e capaz defazer as coisas com tranqüilidade. Valoriza a si mesma e aos outros. Na comunidade, é comunicativa, democrática, capaz de liderar sem impor sua vontade sobre os outros. É uma pessoa atenta a tudo que acontece ao seu redor, é questionadora, sabe das coisas não fica repetindo somente o que ouviu do outro. É corajosa, firme, amorosa. É capaz de reconhecer os seus erros e limites, numa atitude de humildade.

Há muitas pessoas que vão descobrir que foi objeto de sua história, tarde demais e não tem nenhuma possibilidade de mudar. Podemos verificar isso nas profissões e vocações que foram seguidas para satisfazer o desejo do pai ou da mãe. Ex: havia um jovem muito inteligente que o pai queria que fosse médico, ele fez medicina, mas no decorrer do curso tomou consciência de que não era esse o seu desejo. Ao terminar a formação, entregou ao pai o diploma e disse: agora vou fazer o que eu quero. Seguiu uma profissão bem inferior. Se analisarmos bem, veremos muitos casos desse tipo em nosso mundo. Depois de muitos anos num casamento que nunca foi da vontade da pessoa como sair desta situação?

Ser pessoa sujeito é assumir a verdade para si mesma, de sua vida, de seu desejo, de seus sonhos e de suas realizações. É ter muita clareza do que quer ser e viver para si e para os outros. É ser agente, é exercer uma ação consciente no mundo. É desenvolver uma auto-estima positiva, sendo firme e corajosa diante dos obstáculos da vida, dos problemas de comunidade e dos desafios do mundo. 

Reflita algumas perguntas.

1 – Sou sujeito de minha história? Por quê?

2- Em sua comunidade existem pessoas que são sujeito de sua história? Por quê?

3- O que impede as pessoas de serem elas mesmas no ambiente em que vivem?Por quê?

     O que é uma pessoa humana?

       É alguém que exerce um papel fundamental no mundo. Cada um tem o seu modo de estar presente no mundo: da família, da comunidade, da escola, da política, do trabalho e da sociedade em geral. Esses grupos interferem na identidade e no modo de ser e viver de cada pessoa.

É o lugar cultural de onde viemos, carregamos em nossa vida e no nosso corpo toda a educação que recebemos de nossos pais. Já diziam os antigos: a educação vem de berço. Ser pessoa é ter uma existência no mundo, que vai além dos objetos e das coisas que nele existem. Um carro não vale mais do que um ser humano. Porém, há gente no mundo que trata o semelhante como coisa.

 Ninguém deve ser manipulado como objeto, nem homem e nem mulher.

Devemos ser sujeito de nossa história e de nossos atos.

     Quando que uma pessoa vira objeto de sua história?

Quando vive no mundo sem compreender o sentido fundamental de sua existência.

Prevalece em sua consciência à ingenuidade, simplicidade no relacionamento com as coisas. As coisas do mundo exterior assumem um lugar de poder sobre a pessoa, e exerce uma grande influência na sua maneira de viver e organizar sua vida pessoal. Tarô, cartas, leitura de mão, superstições, gato preto, escada, ferradura, trevo de quatro folhas, cultura errada.

No relacionamento consigo mesmo, a pessoa desconhece seu potencial interno, criativo e racional. Não pensa por si mesma, tem carência afetiva e vive numa total dependência. Não tem definido um projeto existencial, não tem o que quer na vida e nem toma as decisões por um ato de liberdade.

Ex: no passado, os pais escolhiam os parceiros para o casamento, definiam as profissões dos filhos, mandavam para o seminário e para o convento, ainda crianças. Muitos seguiam uma vocação para satisfazer a vontade dos pais. Ainda hoje existem pessoas deste tipo.

Uma pessoa se faz objeto quando os acontecimentos e as coisas não causam nenhum espanto e nem angústia para ela. Vive alienada, desligada, é sempre a última, a saber,das coisas. Nem tem interesse em ver os jornais, não se importa com a política. Tudo que acontece na história, na sociedade, na família, na vida pessoal, tem uma justificativa.

Acredita que o destino está traçado por Deus, e não tem como fugir. Ao longo de nossa história ouvimos expressões assim: morreu porque era a hora marcada; a morte aconteceu naquele acidente porque era o destino, seja feita a vontade de Deus. Assim como o sofrimento, a dor e a doença aparecem como castigos de Deus, sem considerar a parcela de culpa e causas reais dos fracassos, provocados às vezes pelo próprio homem. O fracasso pessoal é atribuído à vontade de Deus, por isso é um ser passivo e conformista diante dos acontecimentos. Este tipo de não problematizar, não questionar, mas acredita:

    “É assim, Deus quis, confio nele, portanto, venço com ele.” É sem dúvida que a fé é fundamental em nossa vida, mas não podemos jogar para Deus uma responsabilidade nossa. Uma pessoa objeto culpa a Deus por um problema, uma doença e às vezes chega a dizer eu rezo tanto e não recebo nada.

A verdade, o bem, o valor, a lei, as normas, as regras são realidades exteriores à consciência que cabe ao homem simplesmente aceitar sem nenhum questionamento racional. Ex: Muitas culturas religiosas, mesmo no mundo moderno ainda seguem aquelas coisas antigas. Há uma imposição vinda de fora, de forma imperativa. É um ser humano tão desvalorizado que se sente uma tabula rasa, uma folha de papel em branco, incapaz de realizar algo para si e por sua comunidade. E ainda tem um complexo deinferioridade. Esta pessoa objeto não se dá conta de que é capaz de criar com sua própria inteligência, depende das coisas prontas que são apresentadas a ele e simplesmente acata de forma passiva. Ex: o folheto litúrgico criou um católico dependente que apenas sabe reproduzir o que já foi feito.

O mundo não é humano, a organização da sociedade não aparece como ação humana. Tudo vem de Deus ou da natureza, nunca do próprio homem. A pessoa não aparece com sua capacidade criadora e renovadora da realidade. Sua consciência é mesma alienada e desligada do mundo e de tudo.

As autoridades, os pensadores, os intelectuais, as pessoas importantes tem um grande valor, como bispos e padres, beijam suas mãos e os tem como santos são vistos como representantes de Cristo. Ainda hoje as pessoas humildes que têm um carinho, um respeito pelos padres, quando recebem uma visita é como se fosse Jesus. É bom saber respeitar as autoridades religiosas e políticas, mas jamais endeusá-las, porque são pessoas limitadas como todas as outras. Valorizam também os artistas, os jogadores de futebol, os cantores que viram verdadeiros ídolos. Na política vota justamente no mais forte, no poderoso. Não tem consciência política no seu sentido originário. Política vem de polis = cidade, significa então a ciência do bem comum, a vivência do social, daquilo que pertence a todos. Esta pessoa não tem nenhum interesse político e chega a dizer que Igreja não se envolve em política.

Esta pessoa objeto é simples, diante das realidades que estão fora dela, cabe apenas o acolhimento, a aceitação, a dependência, a submissão, o respeito. Ela valoriza muito, as virtudes como renúncia, o sacrifício, a humildade, a obediência. E chega a fazer certas afirmações: Deus quis assim, nasci para sofrer, este é meu destino, entrego tudo para Deus, não tem jeito mesmo, nasci pobre e vou morrer pobre. Uma pessoa assim é passiva na família, se deixa facilmente ser dominada ou enganada pelo outro. Na comunidade não tem coragem de abrir a boca para discordar daqueles que gostam de manipular e decidir pelos outros. É importante em tudo sabermos dar nossa opinião própria, sem deixar que haja imposição de alguém. No casamento o marido não manda mais do quea esposa e vice-versa. Na comunidade todos têm o mesmo direito de participar das decisões, das programações de festa, das construções. Ninguém deve se sentir como um objeto da comunidade.

Reflita as seguintes perguntas:

l – Ainda sou objeto de minha história?

2-Em nossas comunidades existem pessoas que são objetos de sua história?

3-0 que podemos fazer para libertar essas pessoas daingenuidade?

 

A Pessoa Humana na criação.

    Deus criou o mundo pelo seu poder e criou a pessoa humana para ser feliz.  Deus criou o homem para ser sujeito de sua história. A Pessoa humana foi criada á imagem e semelhança de Deus, sendo capaz de conhecer e amar o seu criador. Deus criou individualmente cada um de nós. Devemos agradecer a Ele por nos ter dado essa grande possibilidade de ser gente, de ser pessoa, homem ou mulher.

Nosso viver, nossa existência, nosso estar no mundo só tem sentido se estiver ligado ao Deus da vida, fonte de tudo e de todo o existir humano. Nada neste mundo é mais importante do que a vida de Deus em minha vida. Minha vida ganha significado se estiver enraizada em Deus. Ela ganha uma dimensão muito maior, ela cresce, expande e vai além do biológico, do cultural e do social. Por isso eu sou importante para Deus porque Ele me criou e para mim mesmo que sou sua imagem e semelhança no mundo.

A pessoa humana deve estar aberta para relacionar com o seu criador. Deus é transcendência, quer dizer vai além de tudo que conhecemos no mundo. Relacionar-se verdadeiramente com Deus é fazer com Ele uma experiência profunda de Fé, de confiança, de entrega, sem tirar a responsabilidade humana de construir nossa história. A pessoa humana ligada a Deus vai a cada dia se humanizando. Jesus era tão humano que só poderia ser Deus disse L. Boff. Fazer teologia é sem dúvida fazer uma experiência com.

Deus. Nosso primeiro mestre é Jesus Cristo, Nosso Senhor. Ele nos deixou o Espírito Santo que nos dá sabedoria e abre nossa inteligência cada vez mais. E compreendendo melhor a Palavra de Deus, a Bíblia Sagrada, com nossa inteligência e com o nosso coração, vamos também encarna-Ia na vida pessoal e comunitária. Fazer teologia é aprofundar o sentido de nossa fé, é fortalecer a espiritualidade, é buscar o divino que está no humano, é buscar o humano que está no divino. A Bíblia e a vida estão interligadas não podem ser compreendidas separadamente. Da mesma forma Deus e o homem estão numa profunda comunhão de amor, mesmo que o ser humano desconheça esta realidade tão bela e profunda.

Assim, a Bíblia define a pessoa humana como imagem de Deus (Gn, l, 26-27, Tg 3,9). O homem é um ser de comunhão com Deus, mas é livre para fazer ou não a sua vontade e quando usa mal a sua liberdade, acaba se desviando de seu criador (Gn3, 4-5, Ez28, 1-9).

O pecado é a expressão da fraqueza humana e da dureza do coração rebelde (Ex 32,1-4). Na Bíblia o povo de Deus deve saber o que é certo e errado (Dt30, 15-18). E Deus criou o homem para amar e respeitar o seu criador e da mesma forma o seu semelhante (Mt22, 3440). O pecado distancia a pessoa de Deus, de si mesma e de seu semelhante (Rm 1,18-32; 7,13-25). Toda pessoa humana é fraca e pecadora, sujeita ao erro, mas é chamada a experimentar a misericórdia e o perdão de Deus como na parábola do filho pródigo.

Deus criou a pessoa humana inacabada em processo constante de construção, podendo escolher entre o bem e o mal (Gn3, 1 ss. Eclo 15, 14 ss.). A vida de cada um de nós é passageira neste mundo, mas Deus garante o prolongamento desta vida na eternidade. A vida é breve e devemos refletir muito sobre esta brevidade, superando o orgulho, a prepotência e a ganância (Luc 12, 16-21). São Paulo fala que a glória de Deus não se compara com a vida na terra e que o Espírito vem em socorro de nossa fraqueza. Então, podemos ir a cada dia superando nossas limitações e experimentando já neste mundo a vida eterna que alcançaremos após nossa morte. A pessoa nasce de Deus e retoma para Ele na ressurreição (l°Cor 15, 35-49).

Cada pessoa é única em sua realidade corporal e espiritual. E é chamada sempre a amar e fazer o bem a si mesmo e aos outros e evitar sempre o mal, mesmo que na fraqueza ele venha a acontecer. Pois ninguém está livre das tentações, do pecado, das limitações, dos erros. A graça de Deus está sempre acima do nosso pecado. A misericórdia dele ultrapassa os limites de nossa existência. Podemos contar sempre com Deus, ele nunca nos abandona, está presente em todas as circunstâncias de nossa vida. É preciso confiar, ter fé, abrindo sempre um diálogo com Deus, sem medo de ser punido ou impedido de expressar o nosso ser. Ter fé significa dar, entregar o coração para Deus. Abrir o coração é um gesto de simplicidade e de humildade que somente as crianças conseguem.

A pessoa é um ser de liberdade. E a verdadeira liberdade é um sinal da imagem de Deus na pessoa humana, pois Deus é liberdade. Liberdade significa escolher o bem, as coisas boas, viver de acordo com os mandamentos da Lei de Deus, fazer a sua vontade.

Toda pessoa humana é vocacionada à liberdade, para viver a sua missão no mundo.

Toda pessoa é chamada por Deus a uma vocação desde o útero materno (Jr. 1,1-10). Deus conta com a nossa resposta sincera e amorosa.

A pessoa humana é comunhão consigo mesma. Precisa se conhecer para melhor viver e servir ao próximo. Saber quem é e como é em seus pensamentos, percepções e sentimentos. Sem esse contato pessoal, não há possibilidade de crescimento humano e espiritual. A pessoa humana é comunhão com o seu semelhante, com o outro, como o próximo. Esta comunhão começa dentro de nossa casa, através do diálogo e da compreensão. A casa, a família é o lugar formativo de cada um de nós. É o lugar da convivência, onde aprendemos a amar ou a odiar. É também o lugar do perdão e da reconciliação.

A pessoa humana é comunhão com a natureza, a grande mãe que sustenta vida.

Amar e respeitar a natureza são dever de toda a pessoa consciente do seu próprio existir e do existir de todos os seres vivos. A pessoa humana é um ser de comunhão com Deus, numa profunda comunicação de amor, na oração, na conversa, na escuta, nos pedidos, na ação de graças, no trabalho, no lazer, nos sacramentos. Deus cuida de nós 24 horas, não importa se estamos acordados ou dormindo, ele fica próximo. A pessoa humana participa da comunhão trinitária, do Pai, do Filho e do espírito Santo.

A pessoa humana é um ser espiritual e não deve se apegar às coisas do mundo. A pessoa cristã deve ser despojada dos bens desse mundo embora tendo o direito de propriedade e de comércio. No mundo capitalista e globalizado a pessoa humana é chamada a viver a fé, sendo dizimista, procurando viver a justiça, a coerência evangélica, não explorando ninguém e nem sendo explorada. Todos os homens e mulheres são dignos de amor e respeito, de reconhecimento de seu direito a viver com dignidade.

A pessoa cristã vive num constante processo de conversão. Ninguém está pronto, passamos à vida toda tendo sempre alguma coisa para ser mudada. Ninguém é santo, mas também não é bom ficar sempre no pecado. E preciso abrir um caminho para a experiência do homem novo e da mulher nova.

Pergunta para reflexão pessoal.

1 – Ao ler esta folha, o que mais te levou a pensar em alguma mudança?

Como ser pessoa em plenitude?

     E finalizando podemos ainda dizer que a pessoa humana pode ser mais, é um ser de transcendência, e por isso perguntamos: Ser Pessoa:

Capaz de humanizar e transformar o seu Eu e seu mundo (realidade); Capaz de usar suas próprias capacidades. Capaz de se conhecer nos seus aspectos: biológicos, psicológicos, físicos, sociais, históricos, culturais que configuram sua subjetividade;

Capaz de conhecer o seu corpo, pensamento, sensação e sentimento, corpo físico e emocional;

Capaz de compreender a sua própria história e transformá-la no momento presente;

Capaz de compreender as feridas e crenças do passado para construir novas formas de ver, sentir e pensar a si mesmo e ao mundo;

Capaz de reconhecer e valorizar a si mesmo para reconhecer e valorizar o outro; Capaz de compreender que somos semelhantes e diferentes ao mesmo tempo;

Capaz de perceber em harmonia consigo mesmo, com o outro e com Deus; 

Como trabalhar nossos problemas humanos?

E preciso visitar o nosso passado para compreendermos o nosso presente. É preciso aprofundar nossa história com suas coisas boas e ruins; É preciso compreender as duas faces do nosso coração humano: a ferida e poço; A ferida é uma realidade machucada desde a infância; É uma experiência negativa que marcou a nossa pessoa. O poço é o potencial de cada um de nós, rico de possibilidade e cheio de vida e de coisas positivas; É preciso integrar essas duas faces para se chegar à identidade e à plenitude; É descobrir a ferida para curá-la através da potencialidade. 

Que tipo de pessoa queremos ser e ajudar a formar?

Uma pessoa integrada em suas diversas dimensões; Relacionada consigo mesma, com o outro, com a natureza e com Deus, participativa na construção e transformação da história e sociedade.

Colaboradora com Deus na obra da criação. Esta a caminho da comunhão definitiva com Deus.

-Uma pessoa equilibrada emocional e afetivamente.

-Uma pessoa que viva os valores evangélicos e cristãos.

1 – O que percebo do meu passado que me ajuda a entender o meu presente?

2 – O que ainda falta em mim para completar a minha relação com Deus e com os irmãos?

 

Você é abençoado!

Se você acordou esta manhã com mais saúde que doença…

Você é mais abençoado que um milhão de pessoas que não sobreviverá esta semana.

Se você nunca passou pelo perigo de uma batalha, a solidão de uma prisão, a agonia da tortura ou as aflições da fome, você está à frente de 500 milhões de pessoas no mundo.

Se vocêpode freqüentar uma igreja sem receio de ser molestado, preso, torturado ou morto… Você é mais abençoado que três bilhões de pessoas no mundo.

Se você tem comida na geladeira, roupas no corpo, um teto e um lugar para dormir… Você é mais rico que 75% da população do mundo. 

Se você tem dinheiro no banco, na carteira e alguns trocados guardados você está entre os 8% no topo desse rico mundo.

Se você mantém sua cabeça erguida com um sorriso no rosto e é realmenteagradecido… Você é abençoado, porque a maioria pode, mas muitos não o fazem.

Se você segura a mão de alguém, o abraça ou mesmo o toca no ombro… Você é abençoado porque está a oferecer o toque de cura de Deus.

Se você pode ler esta mensagem, você recebeu o dobro de bênção daquele que pensou em você, e mais, você é mais abençoado do que mais de dois bilhões no mundo que não podem ler.

Tenha um bom dia e lembre-se do quanto abençoados todos nós somos.

A consciência do outro.

     A pessoa humana, pela sua natureza de ser espiritual no mundo, tem uma dimensão comunitária que o põe em comunhão existencial com o outro, com os seres que integram a natureza física e o mundo espiritual. Os três aspectos essenciais da pessoa pressupõem, no plano existencial, o inter-relacionamento entre o homem o outro e o mundo no qual está inserido:

1º) Por ser inteligente a pessoa é capaz de ter consciência de si, do outro e do mundo. O homem não é inteligência absoluta. É inteligência referida aos outros seres. Não tem consciência de si, como sujeito de conhecimento, senão na medida em que sai de si mesmo e tem consciência dos outros seres.

2º) Por ser livre, a pessoa é capaz de querer e amar. O homem não é vontade absoluta. É livre em relação aos outros seres. No processo de formação da sua personalidade, descobre-se como capaz de querer e amar, na medida em que quer e ama aos outros seres.

3º) Por ser sujeito de valores a pessoa é capaz de valorizar os seres com os quais existe.

O homem não é um valor absoluto. Sujeito de valores em relação aos outros seres.

Descobre-se como capaz de valorar na medida em que valora os outros seres. E de uma maneira significativa o seu próximo.

Na relação do Ser humano com seu semelhante, podemos perguntar: Mas quem é afinal o outro? Uma das dimensões importante do ser humano é sua relação com o outro.

Aquele que aparece em minha vida no face a face. O outro é o distinto de mim, que precisa ser amado e respeitado. É aquele que me escuta, me acolhe e me faz ser de verdade. Eu não sou nada sem o outro.

A pessoa vive e se alimenta de suas emoções. Uma pessoa só percebe as suas emoções na sua relação com o outro. “O outro é quem me revela que diz para mim se estou triste ou alegre. Eu só existo se o outro diz que eu existo”. Basicamente não realizamos nada em nossas vidas sem o outro. Porém, o outro pode aparecer como uma ameaça como alguém que me olha, me vigia e me controla. “O outro é um inferno para mim” (Sartre). Neste sentido temos medo do outro, não é por acaso que trancamos a porta de nossa casa, do quarto, e não gostamos que o outro interfira em nossas coisas. O outro aparece como o fofoqueiro, implicante, autoritário, que muitas vezes é verdade. Neste sentido pode ser mesmo um inferno. E assim precisa do limite e do cuidado “Trate bem o seu vizinho, mas não deixe de construir a cerca” (Orieta, psicóloga). Por outro lado podemos ver no outro o irmão e companheiro, que nos leva a festejar os momentos mais importantes de nossa existência. Neste sentido o outro é alguém muito importante, nos ajuda nas horas de dificuldades e marca presença nos momentos mais importantes de nossa vida. É por isso que só convidamos para um aniversário quem é muito especial para nós.

Daí que eu só posso amar se eu tenho em mim a acusação, o sentimento de que fui amado; eu só posso ser tolerante com as pessoas que comigo trabalham, se eu assim senti a relação dos meus pais para comigo, se recebi e fui capaz de dar afeto. Só posso relacionar bem com o outro se eu tenho razoavelmente resolvido minhas questões pessoais, isto é, se eu sei quem sou para mim mesmo. “Conhecer-te a ti mesmo” (Sócrates). O que eu penso, digo e faço é recebido pelo outro e devolvido a min. gostando uma mudança constante de meu interior. Preciso entrar em contato comigo mesmo, para entrar em relação com o outro. Se não sei o que passa dentro de mim como posso comunicar com o outro? Sintonizar com o outro significa estar em contato comigo mesmo. Preciso escutar respeitar, acolher, aceitar a mim mesmo para escutar respeitar, acolher e aceitar o outro. O diálogo comigo é a condição fundamental para o diálogo com o outro. A aceitação de m.i. r: L mesmo é a grande dinâmica libertadora e criadora de nossa mais autêntica identidade. Querer conhecer-me e aceitar-me, numa autêntica atitude de diálogo comigo. Diálogo integrador e autêntico me prepara e me capacita para o diálogo com os outros. Sou sensível aos sentimentos do outro na medida em que sou sensível aos meus.

A interiorização nos ensina a escutar a nós mesmos e aos outros. Escutar é um ato consciente, voluntário e livre. A escuta requer disposição, querer escutar o outro. Como escutar o outro? Em primeiro lugar precisamos considerar que cada pessoa é portadora de valores fundamentais, mas diferentes uma das outras; Procurar sersimpático e compreensivo; Respeitar a liberdade, a intimidade e o limite da pessoa; Aceitar a pessoa como é e como quer chegar a ser; saber colocar no lugar do outro sem, contudo deixar de ser nós mesmos: Por isso é tão difícil ensinar as pessoas a viverem, a se relacionarem com seu grupo de amigos, com a turma na sala de aula, a serem bons professores, bons alunos, bom pai, boa mãe, bom agente de pastoral etc. Porque essa aprendizagem passa primeiro pelo outro, pelo conhecimento e visão que cada pessoa tem de si mesma. Se a pessoa se sente querida, amada, amiga, responsável, possivelmente será mais querida também dos outros, e terá melhores chances de ser uma pessoa equilibrada e capaz de viver prazerosamente consigo mesmo e com os outros. Pelo contrário, aquela pessoa que vem de uma família onde impera o desrespeito, que não tem amizade, possivelmente terá dificuldades em suas relações sociais, usando diversos mecanismos para disfarçar e enganar a si própria e aos outros.

Assim, todo o ser humano antes de buscar o conhecimento das coisas, das plantas, dos documentos da igreja, deverá passar pelo conhecimento de si mesmo e do outro. Aqui está o eixo central da razão de nossa vida, o sentido maior, o significado existencial de nossa história, que Jesus Cristo resumiu nesta afirmação “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”. E Paulo reforça quando diz: que o amor devocês seja sem hipocrisia… sejam carinhosos uns com os outros. Esta é a sociedade que precisamos construir. O mundo precisa de amor. As pessoas precisam aprender com cristo a amar muito, sem medo e sem hipocrisia.

Perguntas para reflexão:

l – O que você compreendeu da relação do ser humano com seu semelhante?

2- Na sua comunidade como tem sido o relacionamento entre as pessoas?

3- O que facilita e o que dificulta o relacionamento das pessoas na família, na comunidade e na sociedade?

 

A consciência Social

     A consciência social vai sendo adquirida depois que a pessoa descobre que é sujeito de sua história e passa ter maior interesse pelas coisas da sociedade. Ela deixa de pensar somente nela ou em seu grupo e passa a ver e viver o social. A consciência neste momento é reflexiva, amadurecida e crítica. A pessoa percebe que o mundo é uma construção do homem e está sempre passando por transformações. Descobre que tudo se transforma a realidade pessoal, comunitária e social. A construção de um mundo novo, justo e fraterno é missão de todos e não apenas de alguns.

A pessoa humana se vê inserida num contexto mais amplo e percebe quea sociedade tem seu sistema de funcionamento, sua estrutura, sua conjuntura e que hoje podemos chamar de globalização. É preciso pensar muito a realidade que a cerca, pois é profundamente complexa e desafiadora.

A pessoa descobre que está envolvida num mundo de relações que interferem diretamente na sua consciência. É o momento da consciência crítica, isto é a percepção de si mesmo, a si mesmo, no mundo. Ter consciência crítica é ser capaz de conhecer a si mesmo criticar seus próprios atos e saber quais os elementos que influenciam no modo de ser. É estar aberto ao novo, tudo evolui de tempo em tempo. Muita gente tem senso crítico, isto é, sabe julgar com precisão as pessoas e as coisas que estão exteriores a si, mas não é capaz de olhar para dentro de si. Ter consciência é saber das “minhas potencialidades” e dos “meus limites”.

A pessoa humana se vê envolvidas nas quatro leis básicas que rege o funcionamento da sociedade:

1- Tudo se relaciona; na sociedade uma coisa está envolvida na outra, depende da outra. A política, a economia, a religião, a educação, o comércio, a agricultura, patrão e empregado, tudo isso está relacionado e não existe isoladamente.

2- Tudo tem sua contradição; cada realidade existente contém sua própria negação. Uma pessoa é capaz numa coisa e incapaz em outra. Ninguém é capaz de dar conta bem de todas as suas dimensões.

3- Tudo está em movimento; Dizia Heráclito:

Nenhum homem atravessa o mesmo rio duas vezes. Nem o homem será o mesmo e nem o rio quando atravessar novamente. Por isso, tudo se transforma nada permanece a mesma coisa para sempre. Ninguém está pronto e acabado, somos um constante refazer dentro e fora de nós.

4-Tudo passa pela mudança quantitativa e pela mudança qualitativa. Se uma fábrica muda à qualidade de seus funcionários e adquire novos equipamentos, passa a produzir maior quantidade, e esta quantidade vai cada vez mais gerar novas qualidades.

Há um despertar contínuo e vigilante em relação aos fatores que interferem na construção de valores e verdades. Questiona a idéia de que os valores são originários de uma fonte exterior.

Homem sai do plano da idéia, da teoria e começa a ver o ser humano real. Situado na conjuntura social com todas as suas determinações. De certa maneira, passa a ver que é produto de seu meio social, principalmente das relações econômicas de produção. Neste sentido a pessoa é objeto e sujeito ao mesmo tempo. Há coisas que são estruturais e não mudam mesmo. O mundo social com todas as suas regras e leis foram criados pelo homem.

A pessoa humana toma consciência dos limites, “A humanidade do homem não começa com a procura da perfeição, antes no encontro com a própria impotência. O homem não está jamais terminado. Está aberto à possibilidade do erro. Está num processo contínuo. Um contínuo risco” (Ricardo Peter). E continua: “Onde quer que apareça o humano, aparece o limite”. Onde se aceita o limite, aparece à humanidade do homem.

Onde ser ecusa o limite, desaparece a humanidade do homem”.

Onde a grande maioria fica excluída do processo. A sociedade marcada pelos capitalistas, imperialismo político, o jogo de interesse e seu domínio sobre o povo, vão sendo questionados. A pessoa descobre seu papel social no campo da política e busca conhecer as forças de interesses da sociedade.

Embora sabendo do valor comunitário sente que sua missão vai além. A sociedade é o lugar da sua ação transformadora. É preciso mudar o modo de organizar a sociedade para que todo o homem seja feliz.

A sociologia ganha um lugar importante como instrumento científico para compreender as estruturas da sociedade.

Há uma supervalorização do estrutural e do social, em contra partida ao personalismo e individualismo do sistema anterior. Descobre-se o verdadeiro sentido da história superando os grandes heróis, onde eram apresentados como principais protagonistase a atenção se volta para a história da humanidade. Todo ser humano tem sua história. Tudo está voltado para os verdadeiros interesses econômicos e políticos.

Neste contexto, a ideologia desempenha papel importante. Exprime a racionalização dos interesses de classes sociais. Serve de mediação da classe social para a formação das consciências. Neste momento fica claro o papel da ideologia. A pessoa se percebe envolvida num grande círculo ideológico. A sociedade de classes se organiza e se faz a partir de sua ideologia. A consciência crítica é a percepção de forma clara da existência deste círculo e como cada pessoa se move dentro dele. O homem é ao mesmo tempo um ser econômico, político e simbólico. A economia faz parte da vida humana.

Como ser econômico, cada ser humano luta ao tempo todo para sobreviver. Em cada tempo da história, houve diferentes modos de produção de bens materiais. Hoje prevalece o sistema capitalista, todos nós estamos queiros ou não envolvidos no mundo globalizado e dominado pelo capital internacional.

Como ser social, a pessoa humana vive dentro de uma sociedade conflitiva, globalizada, organizada em calasses sociais e em diversos poderes (legislativo executivo e judiciário).A palavra política que significa cidade. A política é então, o agir humano visando o bem comum. Toda ação humana é política.Como ser simbólico, o homem produz e consome bens materiais, religiosos, artísticos que não visam diretamente à sobrevivência e nem a organização social. É na verdade uma produção simbólica, que acaba interferindo na vida social. Existe então, um círculo ideológico fechado que requer do homem crítico uma postura de enfrentamento, de rompimento e de superação desta realidade.

Perguntas para reflexão:

1- O que significa dizer que uma pessoa tem consciência social?

2- O que significa a ideologianasociedade de hoje?

3- As pessoas desua comunidade têm interesse pelo social? O que temsido feito para transformar a sociedade? 

 

Condições para as mudanças: Como superar o círculo ideológico?

Primeiro passo:levantar suspeita É preciso duvidar, desconfiar da teoria e dapráxis humana. Que tipo de teoria legitima tal prática e que tipo de prática legitima tal teoria. Temos de perguntar que filosofia é esta? Que teologia é esta? Que pensamento é este? Que Igreja é essa? Que ser humano é esse?

Segundo passo: experiência do diferente.

É entrar em contato com a opinião do outro. Fazer a experiência de uma outra maneira de ver. Quem sabe tal teoria explica melhor a realidade? Quem sabe eu possa estar equivocado em meu jeito de pensar?

Terceiro passo: atitude de abertura fundamental.

São três aspectos importantes que exigem abertura para superarmos o círculo ideológico: o psicológico (a compreensão do ser humano em sua realidade mais profunda), o cultural (a concepção de verdade, norma, lei, valor) e o teológico (diversas maneiras de entender Deus).

Só há formação da consciência crítica, onde há condições de mudança. Se uma pessoa não aceita mudar, não tem consciência crítica.

Podemos entender a realidade como natureza que segue regras fixas, nada muda, é assim por que Deus quis. A sociedade pode ser entendida como se nada pudesse mudar.

Podemos entender a realidade a partir dos interesses. É a ideologia que pode ser mudada.

A sociedade atual tem dois braços:

1º – as idéias- Valores, símbolos, regras, normas, ideologias que orientam a sociedade. Escolas, partidos, igrejas.

2º – o poder - Aquele que faz valer a sua vontade. Poder legislativo, executivo, judiciário. A lei manda, se não obedece, vem o executivo, a polícia.

Ter consciência crítica é saber que fazemos parte desses dois braços.

Para que servem nossas idéias? Se não sabemos é por que não temos consciência crítica.

É Preciso saber ser situado dentro desta sociedade.

PADRE GERALDO GOMES LEITE

ADAPTADO POR DELECAMPIO JOSÉ MENASSA

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