Delecampio José Menassa

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Este artigo foi publicado em 14/04/2009 e está arquivado em Bíblia.

O simbolismo no Apocalipse

O simbolismo no Apocalipse

Um dos obstáculos para a compreensão do Apocalipse é o uso freqüente de simbolismos, isto é, a propriedade que possuem as coisas materiais de evocar natural ou convencionalmente idéias abstratas.

Para o povo simples, uma representação concreta, sensível, palpável, tem valor de expressão muito mais forte do que uma frase. Para se exprimir o povo usa quadros, comparações, desenhos, cartazes.

Os símbolos são mais evocativos e menos teóricos, mais intuitivos e menos racionais, mais populares, menos intelectuais. Revelam e escondem ao mesmo tempo. Revelam para aqueles que têm olhos para ver. Escondem para aqueles para quem a mensagem não deve interessar. Revelam para os fiéis e escondem para os perseguidores.

Em termos de perseguições religiosas ou políticas, a linguagem simbólica é utilizada estrategicamente. Assim acontece, por exemplo, com a obra Fazenda Modelo, de Chico Buarque de Holanda. Uma linguagem clara demais se tornaria perigosa e poderia levar o autor do texto à prisão. Ora, os cristãos da Igreja Primitiva eram corretos, mas não eram ingênuos, eram bons, mas não eram bobos.

01 – Símbolos referentes a pessoas ou instituições

  • A mulher grávida (12, 1-2): Maria, tipo e mãe da Igreja; o povo de Deus; o Cristo e os cristãos perseguidos pelo Império Romano;
  • O Dragão ou a Serpente (12, 3.9): O poder do mal que opera no mundo;
  • A Besta que sobe do mar (Mediterrâneo) (13, 1; 17,8): O Império Romano;
  • Besta-fera com aparência de cordeiro e voz de dragão (13,11): são os falsos profetas que se colocam a serviço do Império Romano para legitimá-lo perante o povo;
  • Pantera, urso, leão (13,2): símbolos das voracidades ou da exploração;
  • Cordeiro (14,1); Jesus, o Cordeiro Pascal, cujo sangue opera a libertação do povo;
  • Filho do Homem (14,14): imagem de Jesus, como juiz, tirada do livro de Daniel;
  • Alfa e Ômega (21,6): primeira e última letras do alfabeto grego. Deus como princípio e fim de todas as coisas;
  • Anjos (2,12.8.12.18; 3,1.7.14): mensageiros celestes ou coordenadores de igrejas locais.
  • Cavalos (6,2.4.5.8): símbolos da força e da guerra;
  • Duas testemunhas (11,3): Elias e Moisés, ou Pedro e Paulo, ou, simplesmente, todos os cristãos martirizados;
  • A grande prostituta (17,1.5): Babilônia, símbolo da idolatria e do mal, cidade de Roma, o oposto da Jerusalém celeste;
  • Gog e Magog (20,8): as nações pagãs opostas à Igreja; imagem tirada de Ez. 38, 39;
  • Jezabel (2,20): apelido pejorativo dado à sacerdotisa dos nicolaítas, uma seita mencionada em Apoc. (2,15). Mulher de Acab, responsável pela morte de Nobot;
  • A esposa do cordeiro (20,2): a Igreja ou a Jerusalém celeste;
  • O vivente (1,18): Jesus Cristo, princípio e fonte de vida.

02 – Símbolos Referentes às Cores

  • (6,2) Branco : Vitória;
  • (6,4) Vermelho : Violência, sangue, morte;
  • (6,5) Negro : catástrofe, calamidade;
  • (6,8) Esverdeado : decomposição;
  • (17,4) Escarlate : devassidão.

03 – Símbolos Referentes à Números

Assim se fala dos quatro pontos cardeais, as direções geográficas básicas, o universo inteiro:
Fala-se dos quatro anjos (7,1; 9,14-15), quatro ventos (7,1), quatro candelabros (6, 2-8), quatro chifres do altar (9,13), da cidade quadrangular (21,16).

Número que indica a perfeição, a totalidade:

  • Assim o autor fala de sete anjos (8,2,6; 15,1.6; 16,1; 17,1; 21,9);
  • sete cabeças do dragão (12,3; 13,1);
  • sete candelabros (1,13; 1,20; 2,1);
  • sete espíritos diante de Deus (1,4;3,1; 4,5; 5,6);
  • sete estrelas (1,16.20; 2,1; 3,1);
  • sete pragas ( 8,1.7-12; 9,1-21);
  • sete lâmpadas (4,5);
  • sete montes de Roma (17,9);
  • sete olhos do cordeiro (5,6);
  • sete reis de Roma (17,9);
  • sete taças de flagelos (15,7; 16,1; 17,1);
  • de sete trombetas (8,2).

10: número sinistro que indica pouca duração, a duração da aflição causada pelo diabo em Esmirna durará dez dias (2,10).

12: número das tribos de Israel, o antigo e o novo povo de Deus (7,4). Tanto o número doze quanto seus múltiplos são significativos.

12.000: assinalados de cada tribo (7,4-8);

144.000: pessoas no séquito do Cordeiro (14,1-4);

12 portas com 12 anjos protetores da Nova Jerusalém ( 21,12);

12 estrelas no diadema da mulher (12,1);

12.000: estádios, a medida de cada lado da cidade quadrangular (21,17);

144 côvados, a altura das muralhas de Jerusalém celeste (21,17);

24 anciãos diante do trono de Deus (4, 4.10; 5,5.6.8.11; 7,11.13; 14,3);

42 meses (11,2.3): 1260 dias ou metade de 7 anos, indicação de limitação e imperfeição;

666 (13,18): o número da Besta, o cúmulo da perversão, o máximo da maldade;

1000 (20,2): tempo completo;

3 ½ dias (11,9): o tempo da ressurreição de Jesus mais o tempo da ressurreição dos mortos;

04 – Simbolismo de Objetos

  • Candelabro de ouro ( 1,13; 2,1): igreja local;
  • Túnica longa ( 1,13): sacerdócio;
  • Cinto de ouro (1,13): realeza;
  • Cabelos brancos (1,14):eternidade;
  • Pés de bronze (1,15): estabilidade;
  • Mão direita (1,16): poder;
  • Espada afiada de dois gumes (2,16): palavra de Deus que julga a Igreja e os perseguidores;
  • Pedra branca (2,17): sinal de garantia de entrada no Reino;
  • Coroa (4,5): sinal de vitória, prêmio, beleza;
  • Selo (6,1): segredo;
  • Chifre (13,1): poder, força;
  • Balança (6,5): medição, julgamento;
  • Absinto (8, 10.11): nome de uma estrela que causa amargura nas águas e fontes;
  • Cauda (9,10.19; 12,4): símbolo de força.
  • Céu aberto (4,11; 11,19; 15,5; 19,11): habitação de Deus normalmente fechada e cheia de mistérios que agora se abre e desvenda seus segredos;
  • Cítara (5,8;14,2;15,2; 18,22): instrumento principal da música celeste;
  • Colheita (14, 14-20; 19,5): imagem do julgamento;
  • Enxofre (9,17-18;14,10;19,20;20,10;21,8): tipo de fogo destruidor alimentado por esse mineral. Sodoma e Gomorra foram destruídas por uma chuva de enxofre (Gn 19,24);
  • Fogo (1,14;2,14;4,5;8,5.7.8.10; 10,1; 11,5; 13,13; 14,10.18; 15,2; 16,8; 17,16; 18,8; 19,12; 20,9; 21,8): elemento do castigo e do equilíbrio;
  • Idolatria ( 9,20; 13,14; 14,9.11; 16,2; 19,20; 20,4): culto prestado à Besta;
  • Lugar da ira de Deus (14,19.20; 19,15): o campo da batalha escatológica;
  • Mar de vidro (4,6; 15,2): pavimento do templo celeste;
  • Nuvem (1,7; 10,1; 11,12; 14,14): o âmbito celeste, divino;
  • Relâmpago (juntamente com trovões e vozes retumbantes) (4,5; 8,5; 11,9; 16,18): sinal que acompanha a vinda de Cristo;
  • Saraiva (juntamente com chuva de pedras, gelo, granizo) (8,7; 11,19; 16,21): sinal de castigo divino;
  • Trombetas (8,2): sinal de acontecimentos solenes e importantes;
  • Trono de Deus (1,4; 3,21; 4,2.5.10; 5,6.11; 7, 9.15; 12,5; 14,3; 16,17; 19,4.5; 21,11, 22,1.2);
  • Trono de Cristo ou do Cordeiro (3,21; 22,1.3);
  • Trono de Satanás (2,13): trono da Besta; (3,21; 16,10): habitação ou morada;
  • Vinho da ira de Deus (14,10; 16,19; 19,15): castigo infligido por Deus; Deus obriga os seus adversários a beber um vinho estragado ou envenenado;
  • Palmas (7,9): sinal de vitória;
  • Foice (14,17): sinal de juízo ou julgamento;
  • Olhos (1,14): onisciência;
  • Bodas do Cordeiro (19,7.9): símbolo da Jerusalém celeste ou paraíso.

05 – Símbolos Referentes a Lugares

  • Babilônia (17,5; 18,2.10.21): referente à Babilônia do Antigo Testamento. Símbolo do mal e da opressão, a cidade de Roma;
  • Jerusalém celeste (22,2): a Igreja escatológica, o paraíso restaurado, o novo céu e a nova terra;
  • Deserto (12,6): lugar de refúgio e de purificação, lugar de encontro com Deus;
  • Hades (6,8; 20,13.14): lugar dos mortos;
  • A Grande Cidade (11,8): Roma;
  • Harmagedon (16,16): sinal de derrota e calamidade. Lugar onde morreu Josias, e com ele a esperança da reforma religiosa judaica;
  • Lago do Fogo (20,14): destino trágico daqueles que se opõem a Deus;
  • Eufrates (9,14; 16,12): rio principal da Babilônia, símbolo de algumas desgraças;
  • Sodoma (11,8): lugar de perversão, Roma;
  • Egito (11,8): lugar de exploração, Roma.

06 – As Visões do Apocalipse

O livro do Apocalipse é repleto de grandes quadros ou visões. As visões apresentam várias vantagens sobre o discurso. No discurso, alguém fala sobre o Cristo, o Cristo aparece estático, faz-se um relatório, define-se uma doutrina, e apela-se para a inteligência. Por outro lado, na visão é Cristo que fala. Ele aparece em ação. O autor pinta um quadro, propõe uma experiência. ele envolve o coração, os sentimentos, a emoção e a imaginação. Eis alguns exemplos de visões do Apocalipse:

  • 1,9-20: a visão do Filho do Homem;
  • 4,1-11: a visão do Cordeiro;
  • 7,1-17: a visão dos bem-aventurados;
  • 11,1-13: a visão das duas testemunhas;
  • 12,1-17: a visão da Mulher e do Dragão;
  • 14,1-5: a visão dos Resgatados do Cordeiro;
  • 17,1-8: a visão da Grande Prostituta;
  • 18,1-24: a visão da queda de Babilônia;
  • 21,1-27: a visão da Jerusalém Celeste.

O Apocalipse de São João – Uma chave de leitura

No Novo Testamento encontramos várias maneiras para revelar a Boa Nova: por cartas, canto, parábolas, diálogos, etc.

No último livro da Bíblia o anúncio nos é feito de forma “Apocalíptica”. A palavra “Apocalipse” vem do grego e significa re-velar ou revelação, que é igual a mostrar, tirar o véu, fazer mostrar…

Na situação do fim do primeiro século o povo estava impaciente, desanimado… e se perguntava: “Até quando, Senhor?” (Apoc. 6,10). Se Deus é dono do mundo, como permitir a perseguição? Deus perderá o controle da história? – Quem mandava: Deus ou o imperador? (Roma?).

O que re-vela o Apocalipse? Revela Jesus Cristo (1,1). Não há motivo para desanimar, pois dentro da história existe a hora de Deus. E é essa “hora” – “o plano de Deus” que o Apoc. quer transmitir às comunidades.

O Apocalipse foi escrito em uma época de perseguição entre os anos 90 e 100 d.C. Para a escola do império, o imperador era tido como o “Senhor do mundo” (AP 13,4.14), enquanto para os cristãos o Senhor do Mundo é Jesus Cristo (AP. 17,4; 19,5).

Depois da morte de Nero, o grande perseguidor, no ano 64 d.C., houve uma paz aparente, Os cristãos eram como “cupins”, iam subvertendo o sistema do Império. Em torno do ano 95 d.C., houve uma perseguição mais violenta com Dominiano. Este mandava torturar os cristãos para que abandonassem a fé, ele não queria mártires, pois, quanto mais se exterminava, mais cristãos surgiam. “O sangue dos mártires é a sementeira da Igreja”.

No fim do primeiro século a situação indicava o fim das comunidades cristãs. Tudo estava fechado, tudo contra, pareciam discípulos de Emaús, “Nós esperávamos que fosse ele quem iria redimir Israel; mas, com tudo isso, faz três dias que estas coisas aconteceram!” (Lc. 24,21).

Quem escreveu o Apocalipse, e, para quem foi escrito? Não sabemos ao certo quem escreveu. O título que mais vale, para a tradição da Igreja, encontra-se em Apoc. 1,9; “irmão e companheiro na tribulação”. Este escreveu às comunidades (Igrejas) da Ásia Menor (Apoc. 1,4.9). O autor encontra-se como os demais, ou seja, perseguido pela fé, assim como estava a situação das sete igrejas (comunidades) da Ásia.

É bom lembrar que no Apocalipse, bem como em toda a Bíblia, o número sete significa totalidade, plenitude. Dirigindo-se às sete igrejas (Apoc. 2,1 -3,22), o autor pretende atingir todas as comunidades em situação difícil.

  • A perseguição do Império: “satanás é demonstrado em Apoc. 2,9.13; 3,9, ao passo que as comunidades sofrem pelo nome de Jesus (Apoc. 2,2-3). Alguns estão na prisão (Apoc. 2,10), outros mortos (Apoc. 2,13). Apesar disso os cristãos “guardam a fé” com resistência (Apoc. 3,8).
  • Havia um cansaço na caminhada: perda do fervor (Apoc. 2,4), outros não eram nem quentes, nem frios (Apoc. 3,15-16). Outros ainda, tinham fama de estarem vivos, mas estavam mortos (Apoc. 3,1).
  • Falsas lideranças e doutrinas: Falsos apóstolos (2,2); falsos profetas e doutrinas (2,20);, Balaão, Nicolaítas… (2,14-15).
  • Conflitos Sociais: Comunidades pobres, e até indigentes (2,9), eram fracas (3,8) Outras procuravam prestígio no “trono de satanás” e outras eram ricas ( 3,17).
  • Infiltração do judaísmo: Lembre-se que no fim do primeiro século havia um forte conflito entre judeus e cristãos (Apoc. 2,9; 3,9).
  • Infiltração do paganismo: Apocalipse chama de prostituição (2,14.20)

Nessa situação, como o autor do Apocalipse vai anunciar a Boa Nova ao povo perseguido? O Apocalipse é, antes de tudo, uma mensagem de conforto, de esperança e de coragem para um povo em crise, ameaçado na sua fé por causa das mudanças e das perseguições. O Apoc. quer ajudar o povo a superar a crise e a se encontrar novamente com Deus, consigo mesmo, e com a missão, quer animá-lo a não desistir da luta.

Por isso, qualquer interpretação do Apocalipse, feita para meter medo no povo ou para aumentar nele o desânimo, deve ser considerada como errada e contrária às intenções de Deus. Seria o mesmo que usar o sol para molhar o chão, ou usar a água para enxugar o corpo!

Como o Apocalipse anuncia a Boa Notícia? Já dissemos, ele procura tirar o véu, a saber: a história não está perdida, continua correndo dentro dos prazos estabelecidos por Deus. Deus não perdeu o controle dos acontecimentos. O poder do Império não é tão forte como parece. Deus é mais forte! A partir da sua fé em Jesus Ressuscitado, o Senhor da história, o Apocalipse procura fazer nascer consciência crítica no povo das comunidades.

Que o método que se usava para fazer tal anúncio? Quem transmite uma mensagem em forma de cordel deve conhecer o ritmo e as regras da poesia do cordel. Quem transmite uma notícia em forma de história em quadrinhos deve saber desenhar. E quem anuncia a Boa Notícia de Jesus em forma de um apocalipse, o que devia saber ou fazer? Dois pontos: 1) – Dividir a história em etapas e apresentar como profecia o que já pertencia ao passado. 2 ) – Expressar tudo por meio de visões e símbolos.

01) Dividir a história em etapas.

É uma maneira de apresentar aos cristãos um roteiro para se situarem no “plano de Deus”. Eles estavam angustiados e se perguntavam: “onde estamos? Quanto tempo ainda vai demorar?” (cf Apoc. 6,10). João busca explicar as etapas do “plano de Deus” do “começo ao fim”. Como faz isso?

Por meio de visão ou êxtase, o autor se transportava para o passado, para o início do plano de Deus ou para o início de alguma etapa importante desse plano. Estando lá no passado, ele olhava para o futuro e, em forma de profecia, anunciava todas as etapas do plano de Deus, desde o começo até a vitória final. Uma parte desse futuro – é claro – já pertencia ao passado e já era do conhecimento do povo e das comunidades, pois já tinha acontecido. Uma parte estava acontecendo no momento em que ele escrevia ou em que o povo lia seu escrito. Outra parte, finalmente, ainda devia acontecer. Por isso, nem sempre é possível saber se um apocalipse está falando do passado, do presente, ou do futuro.

Com outras palavras, num apocalipse os cristãos achavam descrito todo o roteiro da caminhada do povo de Deus, e as dicas para saber em qual das etapas eles estavam vivendo e sofrendo. Dentro do Apocalipse encontramos dois destes roteiros. Vejamos:

02) – O primeiro roteiro da caminhada do povo de deus: Apoc 4,1 – 11,19.

É a visão do trono de Deus (4,1-11) e do Cordeiro (5,1-14). João se transporta para o ano de 33, isto é, para o novo começo da história, que é a ressurreição de Jesus. Do ano 33 ele aponta para o futuro, as “coisas que vão acontecer” (4,1), isto é, de 33 até o fim da história. Neste roteiro encontram-se os selos fechados (5,1). Os sete selos são as etapas da caminhada. Pela sua ressurreição, Jesus, o Cordeiro imolado, recebeu o poder de abrir os selos e de , assim, conduzir a história até a vitória final (5,9).

Os primeiros quatro selos (6,1-8) descrevem os fatos que aconteceram no passado, entre o ano de 33 e o momento em que João está escrevendo. O povo já conhece, e, por isso, neles se reconhece.

O quinto selo (6,9-11) descreve o momento presente da perseguição que está abalando as comunidades. Desta Quinta etapa se diz que vai durar pouco tempo.

O sexto selo ou etapa (6,12 até 7,17) descreve as coisas que ainda devem acontecer até o fim dos tempos. E, finalmente, a abertura do sétimo selo.

O sétimo selo (8,1 – 11,19) marca o fim da caminhada. Aí já não haverá mais tempo (10,6), será o Reino de Deus.

Neste primeiro roteiro, João formula a Boa Nova como um anúncio de libertação para o povo oprimido. A caminhada é vista como um NOVO ÊXODO. Lendo este roteiro o povo se tranqüiliza. “Estamos na Quinta Etapa! A caminhada está conforme o plano de Deus! É ele quem nos conduz! Falta pouco para chegar o fim. Vamos resistir!”

03) – O segundo roteiro da caminhada do povo de deus: Apoc. 12,1-22.

O capítulo doze é um novo começo. Por meio da visão da Mulher e do Dragão (12,1ss), João é transportado, simultaneamente, para o início da criação do mundo e para o início da nova criação, que é a ressurreição de Jesus. A luta entre a mulher e o Dragão (12,1-4) evoca a luta entre a Mulher e a Serpente no início da criação (Gn 3,15). E o menino que nasce evoca o nascimento, vida, morte, ressurreição e ascensão ao céu de Jesus (12,5-6).

Estando lá no início, João olha para o futuro e faz um novo roteiro: PRIMEIRO, descrevendo as coisas que já aconteceram entre 33 e o momento em que está escrevendo (12,7-17). Em seguida, descreve a perseguição e a luta que estava acontecendo: de um lado, o Império Romano, que é a besta-fera (13,1-18); de outro lado, o Cordeiro e o povo das comunidades (14,1-5). Finalmente, um anúncio feito por três anjos prediz a condenação e a derrota total das forças do mal que perseguem o povo. A história que segue, desde o momento em que João escreve até o fim (isto é, desde 14,4 até 22,21), é vista como a execução minuciosa desse anúncio do julgamento divino.

O segundo roteiro é bem mais concreto do que o primeiro. A história da humanidade e a caminhada do povo de Deus são vistas como um JULGAMENTO DE DEUS. Ao que tudo indica, o primeiro foi feito durante a perseguição de Nero em torno do ano 64 d. C. O segundo durante a perseguição de Domiciano em torno do ano 95 d.C.

Os roteiros ajudam o povo a entender a hora de Deus. Lendo o roteiro o povo olha a história como que num espelho e descobre aí dentro em que altura está a caminhada. A perseguição torna-se necessária para se chegar ao fim. João vai tirando o véu, a escuridão da perseguição se ilumina por dentro, e a face de Deus reaparece, de novo, na história do povo. ESTA É A BOA NOVA!

04) – Segunda característica: descrever tudo por meio e visões e símbolos.

Esta é a parte que mais chama a atenção e que mais causa dificuldades de interpretação. Muita gente desiste de ler o Apoc., porque nada entende dessas visões. De fato, há coisas estranhas no Apocalipse: animais com seis asas, cobertos de olhos ao redor e por dentro (4,8); um cordeiro com sete chifres e sete olhos (Apoc 5,6); cavalos com cabeça de leão e rabo venenoso (Apoc 9,17.19) etc. Como entender tudo isso? Por que será que João se expressava assim por meio de visões e símbolos? Qual o sentido de tudo isso para a nossa fé? Busca de respostas. Talvez haja outras.

05) – Trazer conforto e coragem na luta:

Não é necessário entender todos os detalhes de uma visão. As visões são como um menino que passeia com seu pai. O menino nada entende de força e de proteção, mas sente a força e a proteção do pai. Por isso vai tranqüilo, sem medo, ao lado dele. As visões não dizem o que é a força e a proteção, mas elas fazem o povo sentir a força e a proteção de Jesus ressuscitado caminhando com ele. São como músicas: todos gostam, mas poucos entendem. Música não é feita para quem entende, mas para quem gosta.

Texto adaptado por Genivaldo Marcolan Laquini

Corrigido por Maycon Saiter

 

Um comentário

  1. muinto bom
    23/02/2010

    muinto bom gostei muinto

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